A Estória do pastor Youssef e do seu relógio cilíndrico ou relógio de pastor.
Esta
é a Estória de um habitante da região da Babilónia, o pastor Youssef ,
que viveu na planície entre os rios
Tigre e Eufrates.
Como
bom pastor, Youssef utilizava o seu “relógio de pastor”, como o que se vê na
imagem ao lado, para o acompanhar na transumância das suas ovelhas pelas terras
do deserto.
Era
o ano 3500 antes de Cristo.
O
pastor Youssef sempre acreditou que o seu relógio era mais do que um simples instrumento
para medir as horas. Para ele, era um companheiro de viagem.
Durante
a transumância pelo deserto, o seu relógio de pastor, tornou-se essencial para poder
guiar as suas ovelhas, nos momentos certos, evitando o calor forte do deserto,
aproveitando ainda as brisas frescas do início da manhã.

Dizem que, certa vez, o relógio desapareceu misteriosamente, e as ovelhas, que sentindo a ausência do ritmo habitual, ficaram inquietas, até que Youssef, com seu jeito tranquilo, conseguiu recuperar o relógio que ficara esquecido, num habitual acampamento noturno, pendurado num galho que o suportava.
É que para o nosso pastor, o Sol, que oferece a energia que propaga a vida, apresenta um comportamento que os homens vêm registando: o Sol aparece e desaparece todos os dias no mesmo local aproximadamente.
Numa busca incessante para tentar compreender estes e outros fenómenos da natureza, o homem descobre a sua própria sombra e a sombra das árvores e verifica que o seu tamanho variava com o passar do dia.
Mais ainda, que nos dias nublados, ou à noite, não havia sombras.
O homem começa a pensar e a ter consciência do Tempo, já no Neolítico.
São testemunhos desta preocupação os conjuntos monumentais, como antas ou dólmenes, menires, cromeleques, que os especialistas associam a monumentos funerários, mas também à surpreendente função de marcadores do tempo.
O Jaime na sua voz pausada e numa apresentação cuidada, foi-me recordando o que eu, setenta anos antes aprendera, no curso de astronomia e geodesia dos serviços geográficos e cadastrais de Moçambique, em Lourenço Marques.
Mas desta vez fui surpreendido com a proposta de construção de um relógio de sol, com o material fornecido pelo Atelier.
E resultou porque, de uma maneira subtil e inteligente o Jaime, recuando no tempo, num salto de pouco mais de 5000 anos de história, conseguiu que assimilássemos esses fantásticos critérios que unem a Terra ao Sol.
E a terminar.
Queremos deixar aqui uma homenagem a todos os pensadores, astrónomos, matemáticos, desenhadores, canteiros, simples curiosos, que tornaram possível tamanha riqueza como esta que acabamos de descrever.
Decerto, todos gostarão que o seu trabalho seja recordado, como tu, JAIME, que nos ensinaste de modo tão intuitivo a diferença entre a “Hora Solar” e a “Hora Legal”.
Agora que chega ao fim esta pequena estória do pastor Yussefe, vou olhar mais uma vez o artístico relógio de pastor, com que premiaste o nosso interesse, da Fátima e meu, pelos relógios de sol e pelo tempo em geral.
Casas da Cidade
Lisboa 25 de Outubro 2025
Joaquim Primavera
Sem comentários:
Enviar um comentário